Artroscopia do Tornozelo

     A artroscopia é um método minimamente invasivo de abordagem das articulações através do qual são identificados e tratados seus desarranjos internos sem que a articulação seja aberta. Seguindo a tendência mundial de criar desenvolver procedimentos cada vez menos agressivos e menos invasivos, a Medicina e Cirurgia do Pé adotou a artroscopia como procedimento para o tornozelo e articulações do pé.

     A criação e desenvolvimento desta técnica se devem a Takagi (1939) e Watanabe (1970) e seus avanços acompanham o progresso tecnológico e técnico observado em outros campos da cirurgia endoscópica que envolve todo o organismo humano.

     De maneira simplificada a artroscopia se realiza através da introdução de uma cânula metálica rígida de 2,9 milímetros de diâmetro, dotada de lentes e fibras ópticas no interior da articulação. As fibras ópticas são capazes de conduzir a luz para o interior da cavidade que está sendo examinada ao mesmo tempo em que conduz as imagens internas de volta à câmera de vídeo que se situa na extremidade externa do aparelho. O equipamento é conectado a monitores de vídeo que permitem a visibilização (e gravação) dos achados internos das articulações por toda equipe envolvida no procedimento diagnóstico ou terapêutico.

     Por outras "portas" (como são chamadas as pequenas incisões usadas como vias de acesso ao interior da articulação) são introduzidas pinças, mini-tesouras, mini lâminas, ganchos e outros equipamentos motorizados ("shaver") ou eletrônicos (radiofreqüência, laser) que auxiliam na realização dos procedimentos sem a necessidade de "abrir" a articulação.

     Por causar menor agressão aos tecidos que envolvem e que compõem a articulação, pode ser esperado processo de recuperação mais leve e adequado com a utilização deste recurso cirúrgico.

     Apesar de se constituir em avanço magnífico e inestimável a artroscopia apresenta ainda muitas limitações e não substitui a cirurgia convencional em seu mais amplo espectro. Sua aplicação se restringe ainda a um pequeno número de situações clínicas e é importante considera-la como uma valiosíssima arma diagnóstica e terapêutica mas não a panacéia para as patologias ortopédicas.

Prof. Dr. Caio Nery