Fraturas dos Artelhos

     As fraturas de falanges dos pés são muito comuns, no entanto, a mais corriqueira é a "fratura do sonâmbulo" que é como ficou conhecida a fratura da falange proximal do quinto dedo do pé que se choca contra o pé da cama, mesa ou cadeiras quando se caminha à noite, no escuro.

     Logo após a fratura do quinto dedo segue-se, em freqüência, a fratura das falanges do hálux. Estas são mais incapacitantes e de recuperação mais prolongada em função da maior energia que requerem para ocorrer.

     Além dos desvios indesejáveis resultados das fraturas de falange, não se esperam grandes complicações destas ocorrências. Os retardos ou as falhas de consolidação são raras e não constituem problemas para o paciente.

     O mecanismo mais comum destas fraturas é a queda de objetos pesados sobre os dedos ou o "chute" acidental ou inadvertido.

     As fraturas podem comprometer as superfícies articulares determinando seu desvio e incapacidade. Nestes casos é imperativa sua redução anatômica.

     De forma geral, as fraturas das falanges dos dedos dos pés são tratadas incruentamente. A imobilização de dois ou mais dedos com tiras de esparadrapo (esparadrapagem), tomando o cuidado para proteger a zona interdigital e evitar o estrangulamento da circulação digital por 3 ou 4 semanas, geralmente é o máximo de que se necessita.

     Quando os desvios dos fragmentos de fratura são grosseiros ou quando há envolvimento articular - especialmente nas falanges do hálux - recomenda-se redução aberta e fixação com fios de aço ou pequenos parafusos.

     Quando a destruição é muito ampla, pode ser necessária a fusão entre as falanges do hálux. Apesar da perda parcial da função, a artrodese (como é conhecida à fusão entre os ossos) é opção melhor do que a dor crônica que se instala nestes pacientes.

Lesão de "Altman"

Lesão de Altman - figura 1

     As falanges do hálux podem ser sede de uma patologia curiosa e que se confunde com fraturas. Os indivíduos que praticam esporte na areia ou em solos muito móveis podem sofrer estiramento dos ligamentos colaterais que usualmente mantém uma falange estreitamente articulada à outra. A tração exercida por estes ligamentos sobre o osso produz fragmentos que aparecem aos raios-X como fraturas. A dor é pequena, mas surge massa local - como um calo - que o paciente identifica como fenômeno adquirido e progressivo.

     É uma patologia relativamente comum em cidades praianas e acomete aqueles que se divertem praticando futebol, tênis e tamboréu nas areias. Foi identificada e descrita por um brasileiro, de Santos (SP) o Dr. Abrão Altman.

     Quando o incômodo causado por essa patologia é importante, realiza-se a ressecção do fragmento ósseo arrancado e a reinserção dos ligamentos colaterais em sua localização original.

Prof. Dr. Caio Nery