Os metatarsos são ossos longos e muito resistentes que se situam na região anterior do pé. São freqüentemente atingidos por objetos pesados que caem sobre eles e que podem causar diversos tipos de fraturas.

     Quando se analisam populações de trabalhadores, este é o mecanismo mais freqüente de fraturas dos metatársicos e acometem preferentemente o 3º osso. Na população geral, a fratura metatarsal mais comum ocorre por torção do pé e o osso mais acometido é o 5º metatársico - principalmente em sua base.

     É muito importante conhecer os detalhes destas fraturas e diagnosticá-las o mais precocemente possível para evitar as graves alterações funcionais do pé que as acompanham. Quando as fraturas se situam nas bases dos metatársicos, os desvios são via de regra, discretos, mas há sempre lesões de partes moles associadas (músculos, tendões e ligamentos).

     Quando as fraturas incidem sobre os colos ou cabeças dos metatársicos, os desvios são maiores o que pode alterar substancialmente a distribuição de cargas do peso corporal na região anterior do pé podendo desencadear o surgimento de "metatarsalgias".

     As fraturas dos metatársicos também acompanham os graves acidentes automobilísticos ou motociclísticos. Face à complexidade e gravidade do quadro geral do paciente não é incomum, nestas circunstâncias, deixar passar estas fraturas.

Fratura dos Ossos Metatarsos - figura 1

     A situação mais crítica que envolve estes pacientes é a possibilidade de instalação do quadro de Síndrome Compartimental no pé que é muito grave e pode comprometer a vitalidade e sobrevivência dos tecidos.

     Do ponto de vista clínico, as fraturas dos metatársicos são acompanhadas de inchaço intenso do dorso do pé assim como de hematomas importantes. Em função da dor, o paciente anda com dificuldade ou nem sequer consegue apoiar o pé no chão.      À palpação do local freqüentemente se percebe crepitação e dor intensa. É importante palpar o pulso pedioso no dorso do pé para se certificar da irrigação arterial normal.

     Para o diagnóstico radiográfico, é importante lembrar que os metatarsos são ossos de pequena massa e que a regulagem do equipamento de raios-X para pequenos ossos é imprescindível para permitir sua visibilização e o diagnóstico .

     As incidências mais úteis são a dorso plantar e a oblíqua. A forma de tratamento das fraturas de metatársicos depende diretamente dos desvios dos fragmentos e do grau de lesão dos tecidos moles locais. Fraturas com desvios mínimos podem ser tratadas com botas gessadas - sem a carga do peso corporal - por período de 3 a 4 semanas até que surja calo ósseo firme nos locais de fratura. Depois disso, pode-se permitir carga parcial assistida (muletas + bota) por outras 3 semanas. Alguns autores recomendam, nas fraturas sem desvio, o uso de apoios de espuma ou feltro no interior do calçado e volta precoce à marcha e atividades corriqueiras (exceto esportes).

     Nas fraturas com desvio é imperativo o tratamento cirúrgico. Sob anestesia pode se tentar a redução das fraturas e fixação com fios de aço através da pele (fixação percutânea). Quando isso não é possível, recomenda-se a exploração cirúrgica, identificação dos fragmentos e fixação com fios, parafusos ou parafusos e placas.

     É importante salientar que as fraturas de metatársicos, tratadas conservadora ou cirurgicamente, evoluem com inchaço persistente do pé (dorsal especialmente) que incomoda ao uso de calçado e pode dificultar a marcha e a realização de esportes por muitos meses. Nestes casos, recomenda-se a utilização de meias elásticas e exercícios de drenagem postural ou mecânica do edema.

Prof. Dr. Caio Nery