Fraturas de Fadiga - figura 1

     A fratura de "stress" ou de "fadiga" é definida como a fratura espontânea deum osso normal que resulta da soma ou repetição de forças as quais, isoladamente, seriam insuficientes para produzir lesão. As fraturas de "stress" podem ocorrer em qualquer osso, mas são muito freqüentes nos metatársicos em função das cargas impostas a eles pela marcha prolongada, corrida e salto. Os metatársicos mais acometidos são os II e III seguidos de longe pelos I, IV e V.

     A explicação mais aceita para estas fraturas é exatamente o surgimento de "microfraturas" no osso submetido a traumas leves e repetitivos. Com o tempo, agregam-se outros traços de fratura e o quadro se agrava. Surgem dor e incapacidade funcional de graus variados.

     O diagnóstico clínico nem sempre é fácil. Deve-se suspeitar de fratura de fadiga dos metatársicos sempre que haja informação de caminhadas longas, esforço exagerado, uso de calçados de saltos altos por tempo prolongado ou qualquer outra situação que sugira sobrecarga repetida.

     O exame físico pode ser inocente no início ou demonstrar apenas leve dolorimento sobre o osso afetado. Com o passar do tempo surgem sinais inflamatórios no local e o paciente apresenta graus mais intensos de incapacidade funcional.

     O diagnóstico radiográfico também pode demorar mais do que o costumeiro. De maneira geral são necessários mais do que duas semanas para que surjam os primeiros sinais de reação do periósteo ou a formação de "calo ósseo" ao redor da zona de fratura.

     Após a 3ª semana pode surgir um traço de fratura "verdadeiro", secundário à reabsorção do osso desvitalizado das bordas dos fragmentos. Algumas vezes o diagnóstico é tão difícil que recorremos à ressonância magnética para sua confirmação.

     O tratamento das fraturas de "stress" ou "fadiga" dos metatársicos é, na imensa maioria das vezes, conservador e consiste na supressão da carga do peso corporal sobre o pé afetado. Nos quadros mais intensos e dolorosos é importante imobilizar o membro com uma bota gessada e guardar repouso com a extremidade bem elevada.

À medida que cedem os sintomas mais agudos substitui-se a bota gessada por sapatilhas ou órteses que concentram o peso do corpo na região do calcâneo (Barouk).

     O tempo total de imobilização e proteção se prolonga de 6 a 8 semanas após as quais é recomendável manter o uso de palmilhas que absorvam o impacto na região dos metatársicos e a readequação dos regimes de treinamento ou trabalho.

Prof. Dr. Caio Nery