Fratura no Tornozelo - figura 1

     As fraturas do tornozelo são ocorrências bastante freqüentes. Na maioria das vezes, resultam do movimento de torção do tornozelo ou da rotação do corpo sobre o tornozelo que se encontrava preso ou fixado ao chão. Existem diferentes graus de lesão dos ligamentos e ossos do tornozelo que dependem da intensidade do acidente. Na figura 1, podemos identificar os locais mais comumente atingidos pela fraturas (fíbula, maléolo da tíbia) e os ligamentos que podem ser lesionados .

     O tratamento das fraturas do tornozelo visa restaurar integralmente as estruturas lesadas reconduzindo cada fragmento a seu local original. Essa situação ideal é conhecida como "redução anatômica" por ter sido obtida a completa restauração das relações entre os ossos e articulações. Quando não se obtém a redução anatômica, permanecem desvios dos fragmentos de fratura. A utilização de articulações desalinhadas e com irregularidades em seu interior determina o desgaste progressivo da cartilagem articular (que cobre as superfícies de contato entre os ossos) que culmina no quadro doloso e incapacitante da artrose do tornozelo.

     As fraturas mais simples e sem desvios, podem ser tratadas conservadoramente (com gessos ou órteses), mas, na maioria das vezes, as fraturas de tornozelo são instáveis e de tal complexidade que requerem o tratamento cirúrgico no qual realiza-se a redução e fixação dos fragmentos com parafusos e placas metálicas. Na mesma ocasião, devem ser identificados e reparados todos os ligamentos lesionados.

Fratura no Tornozelo - figura 2

     O paciente deverá ser mantido sem apoio no pé operado até que se complete a cicatrização dos tecidos e a consolidação óssea. Isso ocorre, geralmente, entre a 8a e 10a semanas após a cirurgia.

     Algumas vezes somos obrigados a utilizar parafusos passados da fíbula para tíbia com o intuito de estabilizar a articulação que existe entre estes dois ossos (sindesmose tíbio-fibular distal). Nestas circunstâncias é necessária a retirada destes parafusos antes de se permitir o início da marcha, após a conclusão do processo de consolidação da fratura.

     Tanto o trauma original quanto o tratamento adotado e o tempo de imobilização determinam importantes alterações nos músculos, tendões e ligamentos do membro afetado. É imperativa, portanto, a realização de cuidadoso programa de reabilitação que inclui medidas para redução do edema, recuperação da força e da mobilidade articular além do equilíbrio geral do paciente.

     Mesmo quando a redução da fratura ocorre de forma adequada e foi mantida pelo tempo necessário, podem ser esperadas dificuldades para a recuperação completa do tornozelo. Acredita-se que a energia do agente traumático e sua ação sobre os tecidos moles peri-articulares e sobre a cartilagem articular desempenhem papel primordial na determinação de lesões importantes e que não podem ser percebidas no início do tratamento nem mesmo na observação intra-operatória.

     Nos casos de má evolução espera-se o surgimento da artrose cujo tratamento será discutido em outro local.

Prof. Dr. Caio Nery