Síndrome Compartimental

     Denominamos "compartimentos", zonas existentes em nossos membros (inferiores e superiores) que são delimitadas por ossos e fortes estruturas fibrosas e que acomodam em seu interior músculos e seus tendões, nervos, artérias e veias.

     Os compartimentos, por serem constituídos por tecidos firmes, são relativamente inextensíveis, razão pela qual possuem pequena capacidade de acomodação volumétrica. Por isso, não admitem aumentos bruscos de líquidos em seu interior.

     Na eventualidade de um trauma, com ou sem fratura, inicia-se processo inflamatório cujas características incluem o "inchaço". A acumulação de líquidos devido ao inchaço dos tecidos faz aumentar a pressão hidrostática no interior do compartimento acometido.

     As veias, cuja pressão interna é baixa, deixam de circular o sangue em seu interior o que faz aumentar mais a pressão compartimental.      Com o tempo, a pressão sobe a ponto de reduzir o fluxo de sangue nas artérias, até bloqueá-lo totalmente.

     Os tecidos nobres como nervos e músculos, sofrem tanto os efeitos da compressão sobre si próprios como a falta de oxigenação pela interrupção da circulação arterial e a intoxicação por dejetos resultantes do metabolismo tecidual e que seriam levados do local caso não houvesse a parada de drenagem do sangue venoso.

     Algumas horas neste regime (4 a 6 horas) são suficientes para produzir lesões irreversíveis nos compartimentos envolvidos.      O quadro clínico se caracteriza por dor intensa e intratável e não se deve esperar o aparecimento de sinais de má circulação para conjecturar este diagnóstico.

     Quando se suspeita de que esteja se instalando quadro de S. Compartimental é imperativo medir a pressão no compartimento. Se as pressões internas estão acima dos valores limites, está indicada a abertura cirúrgica do compartimento pelo processo que se denomina fasciotomia.

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Prof. Dr. Caio Nery